quarta-feira, 27 de março de 2013

'Dança' dos times na Superliga mobiliza atletas nas redes sociais com pedidos de um torneio maior


Campanha dos jogadores contra os problemas enfrentados pelo vôlei brasileiro
Campanha dos jogadores contra os problemas enfrentados pelo vôlei brasileiro
O agora ex-Medley Campinas não foi o primeiro e, infelizmente, não deverá ser o último time de vôlei no Brasil a perder o patrocínio após duas ou três temporadas disputando a Superliga, principal competição da modalidade no país. Só neste ano, além dele, Vôlei Futuro e São Bernardo também perderam seus principais investidores e correm sérios riscos de não conseguir disputar o torneio em 2013/2014. E tudo isso está fazendo com que os atletas iniciem uma mobilização.

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O movimento começou na noite desta segunda-feira e partiu de vários jogadores que debatiam o tema em um grupo de discussão que tem mais de 280 atletas - do Brasil e de fora. Juntos, eles decidiram divulgar uma imagem por todas as redes sociais com os dizeres: "Unidos pelo Voleibol. Por uma Superliga melhor". 

Um dos grandes incentivadores do movimento foi o meio-de-rede Gustavo Endress, campeão olímpico em 2004 e atual jogador do Canoas. O central usou o Facebook e o Twitter para compartilhar a imagem e pedir a outros atletas, ex-atletas e até clubes incentivarem também a campanha - a ideia é pressionar a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e os próprios times a transformarem a Superliga em um campeonato mais viável para os patrocinadores. 
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Gustavo foi um dos que iniciou a discussão fazendo uma série de posts de protesto no Twitter ao saber da perda de patrocínio do Campinas e gerando um grande debate com outros atletas pela rede social. 

"Precisamos mudar os conceitos de como manter esses patrocinadores. A Superliga precisa ser mais atrativa não da mais pra manter esse formato. E principalmente não da mais pra ir adiante com esse calendário.Se a Superliga não for bem mais longa não teremos mais times.
#Inconformado", questionou Gustavo, via Twitter, ainda fazendo um apelo para os clubes se unirem na tentativa de transformar o campeonato em algo melhor que fosse benéfico para todos.

"Esta imagem representa a nossa preocupação com a saída de vários patrocinadores e a possibilidade de alguns clubes fecharem as portas", escreveu o jogador ao postar a imagem, que foi compartilhada por cerca de 50 pessoas nas primeiras duas horas em que ficou no ar.

Alguns dos atletas que apoiaram a 'mobilização' foram o ponteiro Lucarelli, do Minas, além dos centrais Bia e Sidão, a levantadora Dani Lins, o líbero Serginho e o técnico Talmo, todos do Sesi, o levantador William, do Sada Cruzeiro, o ponteiro Dante, o central Lucão e o levantador Bruninho, do RJX, a oposta Sheilla, do Sollys/Nestlé, e até o ex-levantador Mauricio entraram de cabeça no protesto publicando a foto em suas redes sociais. A grande reivindicação de todos eles é para que a Superliga dure mais do que apenas quatro meses  para não deixar os clubes parados por tanto tempo.
Divulgação
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O problema do fechamendo de clubes no vôlei brasileiro já não é de hoje. A Superliga feminina, por exemplo, chegou a ser reduzida para esta temporada por conta do fechamento de três equipes no ano passado: Vôlei Futuro, Mackenzie e Macaé. 

Em novembro passado, antes do início desta Superliga, o ESPN.com.br fez uma série de reportagens especiais expondo o problema que os clubes encontram para achar patrocinadores dispostos a investir no vôlei a longo prazo - desde o primeiro ano da competição no feminino, em 1994, somente três equipes, São Caetano, Minas e Pinheiros, conseguiram se manter vivos em todas as edições e, em 18 anos de torneio,mais de 70% dos times não duraram mais do que quatro anos. 

A mobilização dos atletas pelas redes sociais também não é novidade. Antes do início desta Superliga, uma discussão, também iniciada por Gustavo, propunha a  realização de uma 'Copa do Brasil' para preencher o calendário dos times no ano, mas o assunto também parou por aí.

Até agora, ainda não está planejada nenhuma discussão entre CBV e equipes a respeito do formato da Superliga. A competição, que começou no fim de novembro, está na fase semifinal para o masculino e final para o feminino. 


Comentário: É muito triste ver o fim que o vôlei está tomando. Times considerados grandes se desfazendo por falta de patrocínio.

Postado por: Adriane Fernandes

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